sexta-feira, outubro 19, 2012

Manuel António Pina


Acabei de ler agora que morreu o escritor Manuel António Pina. Gostava de ler aquilo que este senhor escrevia, inclusive nas suas crónicas no Jornal de Notícias, escritas até há bem pouco tempo.

E é curioso que tive a oportunidade de o conhecer. Foi em Joane, numa homenagem que lhe foi feita pela Associação Teatro Construção, tendo-lhe feito algumas perguntas para uma reportagem para a Famatv. E desde esse dia que simpatizei ainda mais com Manuel António Pina por ter sido na altura tão simpático e acessível. E será esta a imagem que certamente ficará.

«As palavras não servem só para dizermos coisas, para descrevermos coisas e os nossos sentimentos... As palavras criam mundos...  O meu trabalho é com palavras... Tive essa sorte. Trabalhar com uma coisa de que gostava e é natural que eu goste de fazer jogos de palavras... A fazer jogos de palavras encontram-se coisas fantásticas, há palavras que são amigas umas das outras, que se dão bem umas com as outras e gostam de estar juntas, há palavras que se detestam, outras que funcionam mal, que estão sempre a acotovelar-se... E isso é um Mundo fantástico, um mundo maravilhoso e ao mesmo tempo misterioso... Às vezes - e tenho quase a certeza de que já vos aconteceu -, as nossas palavras dizem coisas que nós não queremos dizer, como se começassem a falar sozinhas... Falam pelos seus próprios meios e isso é também uma aventura permanente. Não podemos dominá-las muito, ficam tristes... Como vocês, se começarem a controlar muito a vossa vida diária, ficam tristes, deprimidas... Com as palavras é igual, é preciso dar-lhes liberdade, mas também não se pode deixá-las a falar sozinhas ou começam a dizer o que não queremos, em vez de falarmos nós.»

Manuel António Pina

1 comentário:

Anónimo disse...

As palavras escritas perduram... este grande autor ficará eternamente registado, e poderemos ler as suas magníficas palavras sempre que desejarmos.

"Por onde vens, Passado,
pelo vivido ou pelo sonhado?
Que parte de ti me pertence,
a que se lembra ou a que esquece?"

in "Neste preciso tempo, neste preciso lugar" - MAP