sexta-feira, novembro 30, 2012

Fechar os olhos

Dos olhos, para os olhos, nos teus olhos.

quinta-feira, novembro 29, 2012

Estou cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álvaro de Campos

Ordenar

Um dia escrevo sobre mágoas. Talvez até um livro repleto de mágoas. Não só as minhas, mas também as das outras pessoas todas. Porque todos temos mágoas. As nossas, as dos outros, as dos que nos são próximos e vivemos como se fossem nossas e as dos desconhecidos que por ouvirmos ou vermos nos consomem à mesma.

Se calhar não escrevo. Guardo-as até ao dia em que tiver uma sala, várias estantes e todas as mágoas ordenadas por nome, tamanho e origem. Mágoas por "d" de "dor" ou por "s" de "saudade". E deixo-as estar organizadas para quando precisar de me recordar delas, saber bem onde estão. Não porque me esqueça, mas antes por me sentir sempre perdido no meio destas e de outras mágoas.

Um anjinho

Durante o dia de hoje cheguei à conclusão que sou a pessoa mais fácil de aturar. E ao mesmo tempo a pessoa mais fácil de lidar e a mais fácil de contentar. Então reparem: se me fizeram todas as vontades, não atormentarem o meu sistema nervoso e os meus desejos foram ordens prontamente seguidas, não causo qualquer espécie de problema. É muito fácil de me terem calmo e tranquilo, não perturbando o funcionamento normal da rotina diária. Minha e dos outros.

terça-feira, novembro 27, 2012

Ouvir antes de deitar

Esta é uma daquelas músicas que nos deixam esmagados. Como muitas desta banda em particular. Fica para ouvir.


domingo, novembro 25, 2012

Perturbar

De tudo o que não me perturba existe uma pequena parte que acabará por me perturbar. Somente pela perturbação que contém.

sábado, novembro 24, 2012

Oh me

...


quinta-feira, novembro 22, 2012

Planear

O melhor plano é não fazer planos.

terça-feira, novembro 20, 2012

As bolinhas

«As bolinhas devem estar amestradas»

Dito assim tem várias interpretações. Mas contextualizando, chega-se à conclusão que Vítor Pereira, treinador do FC Porto, diz coisas engraçadas. O treinador portista referia-se às bolas do sorteio da Taça de Portugal que ditou um SC Braga - FC Porto, segundo o próprio um jogo grande e o tipo de partida que a sua equipa mais gosta de jogar.

E fui ao dicionário copiar o significado para aqui:

amestrado adj.
Ensinado, doutrinado, instruído, adestrado. (Diz-se não só das pessoas, mas também dos animais como ensino especial.)

amestrar v. tr.
1. Tornar mestre. 2. Ensinar proficuamente, industriar.

Conclusão: se as "bolinhas" que ele estava a falar são as do sorteio, então devem ter virado bichos.

Pois

...


quote

«Não crie expectativas. Crie gado, pois pelo menos dá dinheiro!»

segunda-feira, novembro 19, 2012

Porco chinês

Mais uma prova de que na Ásia proliferam os casos insólitos.



domingo, novembro 18, 2012

O Pai Natal já chegou!

Hoje é o dia 18 de Novembro e ontem o Pai Natal chegou a Portugal. E digo Portugal porque ontem assisti à chegada do dito cujo à capital do país, ou seja, Lisboa. Mais concretamente aos Armazéns do Chiado. Com direito a uma pequena gala com canções de Natal, cantadas por um grupo de jovens da Maia, e muita neve que caiu sobre a multidão que assistiu ao acontecimento.

Eu gosto do Natal e da figura do Pai Natal mas chegar a meio do mês de Novembro parece-me um exagero. É cedo demais tendo até em conta que esta época será particularmente complicada para muitas pessoas que terão pouco dinheiro para gastar em presentes de Natal. Logo, ver tantas imagens alusivas ao Natal e durante tanto tempo será como um prolongamento do sofrimento de ver e não poder gastar dinheiro.

Mas claro que o evento e a promoção feita pelos Armazéns do Chiado foi digno de registo. Especialmente pela neve que caiu durante a interpretação do All I Want For Christmas celebrizado pela voz de Mariah Carey.

sábado, novembro 17, 2012

Acordar

O acordar é lento. Todos os dias o despertar de um novo dia que começa devagar. Vê-se o sol entre nuvens, para já sem sinal de chuva. A luz que entra pela janela indica que há mais um dia. Para acordar pé ante pé.

sexta-feira, novembro 16, 2012

Perguntas possíveis

Hoje logo pela manhã vi uma notícia sobre um senhor asiático (penso que chinês) a correr feito maluco mas de quatro. Estilo macaco. A notícia era que tinha entrado para o Guinness por ter batido o recorde de corrida de quatro. E estas foram as questões que desde logo assaltaram a minha mente. Portanto, as perguntas possíveis de serem feitas perante tal situação:

Será que já acordei?

Ui, isto é estúpido, não é?

Por que é que estas coisas só acontecem para aqueles lados?

Os chineses não fecham bem a porta, pois não?

Será que os macacos também podem entrar nesta competição?

Espera lá, ele está mesmo a correr de quatro?

É possível correr naquela posição? Então não é só uma posição para outro tipo de actividades?

Ah...espera lá...isto é o noticiário da manhã?

É na TVI, certo?

Vai bater o recorde de quem? Do Usain Bolt?

Espera lá...ele não está de quatro?

Isto não é normal, pois não?

É verdade. Ele estava mesmo a correr de quatro e parecia muito feliz por isso. Eu não acho isto nada normal.

Verdade?

Onde cabe um, cabe um milhão.

Percebe

Que sou assim mesmo nos dias bons.
Que aguento sem o teu conforto.
Que passo e não olho para trás.
Que não sou aquilo que esperas.

As horas que são menos boas.
As palavras que me dão desconforto.
As horas que correm para a frente.
As voltas interiores em que desesperas.

Sem esperares respostas concretas.
Sem perceberes muitas vezes onde ando.
Sem deixares que esteja ausente.
Sem prometeres que amanhã será um dia melhor.

Abrir o jogo

Regra geral não gosto de abrir o jogo. Não pretendo criar falsas expectativas nas pessoas ou de alguma forma defraudar alguém. Gosto de abordar os assuntos quando estão concretizados. Com todas as certezas e não falar em algo que pretendo atingir mas que ainda não é palpável. Não faz grande sentido dar como certo o que não o é.
Por isso, guardo o jogo o máximo que consigo sem dar muito nas vistas, escondendo muitas vezes o brilho no olhar ou a desilusão impossível de disfarçar. É claro que os que estão mais perto de nós têm obrigatoriamente de ter algumas noções. De acompanhar o processo, mesmo não tendo de conhecer os assuntos em profundidade.
É bom guardar a distância de segurança para evitar desilusões. Muitos pensarão que as desilusões, as nossas e as dos outros, fazem parte e que terão o seu quê de didáctico. Eu acho que quantas menos, melhor. Daí querer sempre resguardar-me de qualquer eventualidade. Difícil segurar-me em muitas ocasiões, mas um "mal" necessário para melhor lidar com todas as situações.

Música

...




quinta-feira, novembro 15, 2012

Eu no jornal


Hoje no OP

O som nos meus ouvidos A rádio nunca foi um desejo claro, apesar do curso de Comunicação Social e da vontade de fazer jornalismo. Foi daquelas coisas nas quais entramos a medo, temendo o pior e não criando expectativas que possam ser demasiado elevadas. Dizem que a rádio deixa um "bichinho" e acho agora que foi esse "bichinho" que me foi devorando e consumindo, transformando esta passagem radiofónica numa espécie de paixão sem explicação. Foi também graças às pessoas que encontrei, ao apoio que me deram, que comecei a comentar jogos de futsal, depois de futebol e por fim os relatos todos os fins-de-semana. Que comecei a fazer directos no exterior, que iniciei a leitura dos noticiários em directo, que passei pelas reportagens, entrevistas, rubricas. E fui crescendo com aquele som nos meus ouvidos.
Entre muitas histórias para contar, partilho uma que marcou o resto da jornada. Separou o receio inicial do arranque para algo mais prometedor. Jogo de futsal no Pavilhão Municipal de Famalicão entre FAC e Piedense para a Taça de Portugal. Como habitualmente acompanhava o futsal do FAC, por essa altura no principal escalão da modalidade, foi destacado juntamente com o Aristides Ferreira para a cobertura do jogo. Eu faria os comentários e análise do jogo e o Aristides o relato. Essa tarde desportiva de sábado incluía ainda o habitual hóquei em patins, também com relato de um jogo do Riba d'Ave Hóquei Clube a seguir ao futsal e feito pelo mesmo Aristides. Tudo corria dentro do previsto até que o empate na partida não atava nem desatava e foi necessário jogar-se o prolongamento. Com o tempo a passar e o meu colega de trabalho a ter ainda de se deslocar para Riba d'Ave, a sugestão veio de estúdio com o Arcindo Guimarães a dizer que eu ficaria a assegurar o resto do relato do jogo enquanto o Aristides sairia para rumar ao hóquei em patins. Incrédulo e a pensar "como é que eu saio desta?!", lá peguei no microfone enquanto o Aristides arrumava as suas coisas. A emissão estava em estúdio para compromissos publicitários e regressou pouco depois em directo ao pavilhão. Praticamente sem pensar no que vinha a seguir, imaginei os relatos que costumava ouvir e lá segui em frente.
Correu bem e foi o passo definitivo para acreditar que era capaz. Mais ou menos desta forma a rádio foi exercendo o seu fascínio. Algo como as palavras que dizemos ao microfone à nossa frente e que não temos a noção da quantidade de pessoas que nos estão a ouvir. É a sensação do quarto fechado em que falamos sozinhos e os auscultadores nos ouvidos em que ouvimos perfeitamente o que dizemos ou as indicações do colega em estúdio. Uma espécie de voz da consciência que sabe bem ouvir. É o som que se ouve, nos marca e jamais se esquece. Porque por muitos anos que passem, continuarei com o som da rádio nos meus ouvidos. Por fim, quero deixar os votos de muitas felicidades a todos os que contribuem para a emissão diária da Rádio Digital FM e esperar que estes 23 anos de existência sejam apenas o começo de uma jornada, a cada dia que passa, ainda mais grandiosa.

terça-feira, novembro 13, 2012

Frase do dia

"Uma cela muito bera"

segunda-feira, novembro 12, 2012

Positivo

Esta manhã acordei com esta música na cabeça. Não perguntem porquê.


A senhora Merkel

Não, não vou seguir a maioria dos portugueses e insultar aqui no meu blogue a senhora Merkel. Vou apenas referir (e agradecer) o grande serviço prestado nos três noticiários da hora de almoço. Enquanto almoçava, vi a senhora Merkel a sair do Palácio de Belém, a entrar no carro, o carro a passar, a senhora a sair do carro na chegada ao Forte de S. Julião, a ser recebia pelo Primeiro Ministro Passos Coelho e (imagine-se) os dois bem juntinhos, lado a lado, a olharem o mar. E pronto, como podem ver estou neste momento a digerir a quantidade de informação útil que me foi servida durante o almoço pelos noticiários dos canais generalistas portugueses.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Ctrl+Alt+Del


quarta-feira, novembro 07, 2012

If only

...


Pensar

É o que eu tento fazer sempre...


terça-feira, novembro 06, 2012

Cogumelos

Só uma pequena nota sobre os cogumelos. As notícias sobre cogumelos não têm sido as melhores, nomeadamente porque o veneno de algumas espécies de cogumelos matam inúmeras pessoas todos os anos. E normalmente pessoas que passam algumas dificuldades e que vêem na apanha de cogumelos uma forma de conseguirem ter alguma comida na mesa.

Ora, qual não foi o meu espanto quando uma notícia na televisão dava conta do surgimento de uma aplicação para o iPhone, capaz de ajudar as pessoas a distinguir as várias espécies de cogumelos e a saber quais os comestíveis ou não.

Agora a pergunta que eu faço: será que a maioria das pessoas que vai aos montes apanhar cogumelos tem iPhone?

quinta-feira, novembro 01, 2012

Let me


...

Neste preciso momento deu-me aquela vontade de escrever. Mas não sei bem sobre o quê. A vontade talvez tenha chegado de um texto que acabei agora de ler sobre o livro "Morreste-me", de José Luís Peixoto. Um texto bem escrito sobre um livro difícil.

E tudo isto me leva a pensar que não é fácil escrever. Mesmo tendo vontade nunca se vai a lado algum se não existirem inspiração e assunto. E estes dois "ingredientes" resumem-se naquilo que nos rodeia. Na nossa vida e nas pessoas que nos acompanham. Sem o sumo é impossível beber um belo refresco.

quote

"Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante horas, é a isso que é preciso chegar. Estar só, como a criança está só."

Rainer Maria Rilke