quinta-feira, julho 31, 2014

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, como grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo, de repente
Hei-de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

sexta-feira, julho 25, 2014

...

I'm a big shining star. And you? Well...you're my moon..

quinta-feira, julho 24, 2014

book

- Pensa na maior loucura que conseguires. Escreve-a na lista e vamos concretiza-la juntos.

Disse-lhe enquanto observavam o céu e as estrelas, por entre o passar das horas daquela madrugada. Talvez nem precisasse de ser uma loucura. Podia ser algo simples. Porque a loucura pressupõe algo efémero, próprio do devaneio do momento. E aquilo era bem mais do que isso. Era amor.

...

"When I walk beside her
I am the better man
When I look to leave her
I always stagger back again"

Escrito por aí

"O amor é algo extraordinário e muito raro. Ao contrário do que se pensa não é universal, não está ao alcance de todos, muito poucos o mantêm aqui. Chama-se amor a muita coisa, desde todos os seus fingimentos até ao seu contrário: o egoísmo. 

A banalidade do gosto de ti porque gostas de mim é uma aberração intelectual e um sentimento mesquinho. Negócio estranho de contabilidade organizada. Amar na verdade, amar, é algo que poucos aguentam, prefere-se mudar o conceito de amor a trocar as voltas à vida quando esta parece tão confortável. 


Amar é dar a vida a um outro. A sua. A única. Arriscar tudo. Tudo. A magnífica beleza do amor reside na total ausência de planos de contingência. Quando se ama, entrega-se a vida toda, ali, desprotegido, correndo o tremendo risco de ficar completamente só, assumindo-o com coragem e dando um passo adiante. Por isso a morte pode tão pouco diante do amor. Quase nada. Ama-se por cima da morte, porquanto o fim não é o momento em que as coisas se separam, mas o ponto em que acabam. 

Não é por respirar que estamos vivos, mas é por não amar que estamos mortos. 

De pouco vale viver uma vida inteira se não sentirmos que o mais valioso que temos, o que somos, não é para nós, serve precisamente para oferecermos. Sim, sem porquê nem para quê. Sim, de mãos abertas. Sim... porque, ainda além de tudo o que aqui existe, há um mundo onde vivem para sempre todos os que ousaram amar..."

J.L.N.

Hard sun

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quarta-feira, julho 23, 2014

...

Chovia mesmo sendo um dia de Verão. Como se o estado do tempo percebesse o quanto choravam as almas. As duas. Sem excepção, sem a mínima diferença, tal e qual como gémeas afastadas durante um longo período de tempo. Seria o reencontro. O voltar ao lugar onde afinal a felicidade tinha ficado suspensa, à espera, da volta após aquela partida. Os seus olhos pediam um abraço, rápido, intenso, como só aqueles braços conheciam o seu corpo, estreito mas torneado de formas generosas. Aquele olhar pedia algo mais. Talvez um beijo, terno, cheio de tudo, simples, tão familiar e ao mesmo tempo pleno em desejo. Ou talvez não precisasse de nada disto. Somente o seu cheiro tão característico, a sua presença física. Contempla-lo. Seria suficiente? A saudade tem as suas razões escondidas. As vontades sonhadas mas tão reais. E neste dia, hoje, ele não voltou mais.

Pergunta-me

Pergunta-me 
se ainda és o meu fogo 
se acendes ainda 
o minuto de cinza 
se despertas 
a ave magoada 
que se queda 
na árvore do meu sangue 

Pergunta-me 
se o vento não traz nada 
se o vento tudo arrasta 
se na quietude do lago 
repousaram a fúria 
e o tropel de mil cavalos 

Pergunta-me 
se te voltei a encontrar 
de todas as vezes que me detive 
junto das pontes enevoadas 
e se eras tu 
quem eu via 
na infinita dispersão do meu ser 
se eras tu 
que reunias pedaços do meu poema 
reconstruindo 
a folha rasgada 
na minha mão descrente 

Qualquer coisa 
pergunta-me qualquer coisa 
uma tolice 
um mistério indecifrável 
simplesmente 
para que eu saiba 
que queres ainda saber 
para que mesmo sem te responder 
saibas o que te quero dizer


Mia Couto

Bucket list

E que tal o silêncio do deserto? Lá talvez o céu seja ainda mais magnífico e as estrelas as mais verdadeiras. Lá, no deserto, talvez tudo se resuma a um nada. Em que basta existir, numa existência em que estejas. E basta. Vai para a lista.

Desejos

À falta de melhor, roubei. Não que tenha deixado de existir um castigo para roubar, mas também nunca foi pretensão fazer tudo direito e somente o recomendável. O castigo acaba por fazer parte do crime. Aqui vai.


Os Meus Melhores Desejos

Que a vida te pareça suportável.
Que a culpa não afogue a esperança.
Que não te rendas nunca.
Que o caminho que sigas seja sempre escolhido
entre dois pelo menos.
Que te interesse a vida tanto como tu a ela.
Que não te apanhe o vício
de prolongar as despedidas.
E que o peso da terra seja leve
sobre os teus pobres ossos.
Que a tua recordação ponha lágrimas nos olhos
de quem nunca te disse que te amava.

Amalia Bautista

segunda-feira, julho 21, 2014

...

Não queiras o que te descontrola. Fica-te pelo que consegues controlar.

segunda-feira, julho 14, 2014

quote

«Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.»

Mia Couto

sexta-feira, julho 04, 2014

Dias sem fim


terça-feira, julho 01, 2014

Acordes fúnebres

Parem os relógios, desliguem o telefone.
Não deixem o cão ladrar dando-lhe um belo osso.
Calem os pianos e com um tambor abafado
Tragam o caixão e os que estão de luto.

Deixem os aviões fazer círculos e fazer barulhos
Escrevendo no céu a mensagem: ele morreu.
Ponham lenços negros nos pescoços brancos das pombas.
Façam os polícias de trânsito usar luvas de algodão negras.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, meu Este e Oeste,
A minha semana de trabalho e o meu descanso de domingo.
O meu meio-dia, a meia-noite, a minha fala, a minha canção,
Pensei que o amor ia durar para sempre mas enganei-me.

Agora as estrelas não são necessárias: apaguem-nas todas.
Guarde-se a lua e desmantele-se o sol.
Esvaziem-se os mares e varra-se a floresta
Porque de nada agora poderá resultar algo de bom.

W. H. Auden