quarta-feira, julho 23, 2014

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Chovia mesmo sendo um dia de Verão. Como se o estado do tempo percebesse o quanto choravam as almas. As duas. Sem excepção, sem a mínima diferença, tal e qual como gémeas afastadas durante um longo período de tempo. Seria o reencontro. O voltar ao lugar onde afinal a felicidade tinha ficado suspensa, à espera, da volta após aquela partida. Os seus olhos pediam um abraço, rápido, intenso, como só aqueles braços conheciam o seu corpo, estreito mas torneado de formas generosas. Aquele olhar pedia algo mais. Talvez um beijo, terno, cheio de tudo, simples, tão familiar e ao mesmo tempo pleno em desejo. Ou talvez não precisasse de nada disto. Somente o seu cheiro tão característico, a sua presença física. Contempla-lo. Seria suficiente? A saudade tem as suas razões escondidas. As vontades sonhadas mas tão reais. E neste dia, hoje, ele não voltou mais.

1 comentário:

Anónimo disse...

"Sou um artesão que trabalha na oficina das palavras. Não tenho asas como os grifos, como os pássaros, como todos os homens que sonharam voar. Ícaro, Leonardo, Gusmão.
Tenho o sonho deles mas não preciso de asas. Voo com as palavras. Vou com as palavras.
(...)

Mas prossigo escrevendo, com amor.
Qualquer palerma sabe, mesmo não sendo escritor, que sempre é melhor ter amor que ter dinheiro. Sem que uma coisa, necessariamente, deva impedir a outra."

Joaquim Pessoa, in "Guardar o Fogo".