quinta-feira, junho 28, 2012

Na multidão

Mas afinal quantos somos? Por vezes muitos, demasiados, todos os que conseguirmos arranjar. Sentimos as mãos por baixo do nosso corpo, sustentando o nosso peso, qual estrela de rock no meio de um concerto. Na certeza de que mesmo que exista uma multidão que nos rodeie, apenas podemos contar exclusivamente connosco.

terça-feira, junho 26, 2012

caminhando

É a caminhar que se faz o caminho. Sendo escuro, estreito, nos cause pânico ou algum medo. É caminho para desbravar.

Mugly, o cão mais feio do Mundo - JN

Mugly, o cão mais feio do Mundo - JN

segunda-feira, junho 25, 2012

Verdade

"Ovelhas não são para mato"

domingo, junho 24, 2012

animais

"Deixa o cãozinho esgravatar que a cadelinha não é nossa"

sexta-feira, junho 22, 2012

Inspiração

«A inspiração existe, mas tem de encontrar-te a trabalhar»

Pablo Picasso

A minha verdade


quarta-feira, junho 20, 2012

Ao contrário

«Na minha próxima vida, quero viver de trás para frente. Começar morto, para despachar logo o assunto. Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo. E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer. Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço adequado a cada dia que passa, e depois - "Voilà!" - desapareço num orgasmo.»

Woody Allen

terça-feira, junho 19, 2012

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira

segunda-feira, junho 18, 2012

quote

«A paciência é amarga, mas o seu fruto é doce»

Jean-Jacques Rousseau

sábado, junho 16, 2012

...

Doces salgados, picantes amargos, ácidos suaves.

Substituir

"O futebol é um jogo para 22 homens, 11 de cada lado. Os jogadores chutam a bola de um lado para o outro. A bola tem de entrar numa baliza, defendida por um guarda-redes. O jogo demora 90 minutos e no final ganha sempre a Alemanha"

Gary Lineker, ex-jogador de futebol

"No futebol é como no amor. O que acontece antes pode ser muito bonito, mas não passa de um namorico. A bola tem de entrar lá dentro"

Max Merkel, jogador e treinador austríaco

Chat

"Convidamos para você vir ver um jogo, estar presente num dos nossos jogos do Europeu, tá?"

Cristiano Ronaldo, jogador da Selecção, para Cavaco Silva

"Obrigadinho!"

Presidente da República, agradecendo a Cristiano Ronaldo

segunda-feira, junho 11, 2012

Retiro

«Há quem procure lugares de retiro no campo, na praia, na montanha; e acontece-te também desejar estas coisas em grau subido. Mas tudo isto revela uma grande simplicidade de espírito, porque podemos, sempre que assim o quisermos, encontrar retiro em nós mesmos. Em parte alguma se encontra lugar mais tranquilo, mais isento de arruídos, que na alma, sobretudo quando se tem dentro dela aqueles bens sobre que basta inclinar-se para que logo se recobre toda a liberdade de espírito, e por liberdade de espírito, outra coisa não quero dizer que o estado de uma alma bem ordenada.»

Marco Aurélio

quarta-feira, junho 06, 2012

Reflectir

Texto de Fernando Dacosta para reflexão.

«Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si. O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber. Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.
O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor. Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros. Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.
Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados. As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.
Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a.
Mas pedi-la, não. Nunca!». O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.
“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”. Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis.
Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta - acrescentando os outros.
“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”. O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.
Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos – condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes. Autor: Fernando Dacosta

Nota: Já escrevi algures no Expresso um comentário sobre Ramalho Eanes, mas sinto-me na obrigação de dizer algo mais e que me foi contado por mais que uma pessoa.

Disseram-me que perante as dificuldades da Presidência teve de vender uma casa de férias na Costa de Caparica e ainda que chegou a mandar virar dois fatos, razão pela qual um empresário do Norte lhe ofereceu tecido para dois. Quando necessitava de um conselho convidava as pessoas para depois do jantar, aos quais era servido um chá por não haver verba para o jantar. O polícia de guarda em vez de estar na rua de plantão ao fio e chuva mandou colocá-lo no átrio e arranjou uma cadeira para ele não estar de pé. Consta que também lhe ofereceram Acções da SLN-BPN, mas recusou.»

quote

"A vida deve ser, para os melhores, um sonho que se recusa a confrontos"

"Sentir tudo de todas as maneiras; saber pensar com as emoções e sentir com o pensamento; não desejar muito senão com a imaginação; sofrer com coquetterie; ver claro para escrever justo; conhecer-se com fingimento e tática, naturalizar-se diferente e com todos os documentos; em suma, usar por dentro todas as sensações, descascando-as até Deus..."

Fernando Pessoa

terça-feira, junho 05, 2012

Banquet

Para ouvir com o volume para lá de meio. Se possível, bem alto! :)



linhas tortas quebradas

das voltas tontas perdidas,
as portas mortas deixadas.
das tortas linhas quebradas,
as intensas desertas apostas.

o encosto oposto desgosto,
a espada armada cortada.
o disposto Agosto suposto,
a velada adiada amada.

segunda-feira, junho 04, 2012

São plácidas todas as horas que nós perdemos

Mestre, são plácidas
Todas as horas
Que nós perdemos,
Se no perdê-las,
Qual numa jarra,
Nós pomos flores.

Não há tristezas
Nem alegrias
Na nossa vida.
Assim saibamos,
Sábios incautos,
Não a viver,

Mas decorrê-la,
Tranquilos, plácidos,
Lendo as crianças
Por nossas mestras,
E os olhos cheios
De Natureza...

À beira-rio,
À beira-estrada,
Conforme calha,
Sempre no mesmo
Leve descanso
De estar vivendo.

O tempo passa,
Não nos diz nada.
Envelhecemos.
Saibamos, quase
Maliciosos,
Sentir-nos ir.

Não vale a pena
Fazer um gesto.
Não se resiste
Ao deus atroz
Que os próprios filhos
Devora sempre.

Colhamos flores.
Molhemos leves
As nossas mãos
Nos rios calmos,
Para aprendermos
Calma também.

Girassóis sempre
Fitando o sol,
Da vida iremos
Tranqüilos, tendo
Nem o remorso
De ter vivido.

Ricardo Reis

O falar e o ouvir

Entre o esperar para falar e o ouvir até ao fim ainda vai uma distância. Considerável. Muitas vezes melhor do que falar é saber ouvir. Ouvir e ouvir e ouvir, sem falar, é então o máximo a que se pode aspirar. O topo da montanha está em saber guardar quase tudo o que pensamos, o que não devemos dizer, porque não importa ou porque estamos errados. O erro está em verbalizarmos tudo o que nos vem à cabeça. Ou quase tudo ou o mínimo que seja que pode ferir sem sangrar. E fere tantas vezes.

Correndo o risco do saco encher depressa e poder explodir quando e onde menos se espera, o melhor mesmo é guardar. Tudo. Naquele saquinho bem lá no fundo do nosso interior. E por isso devemos ouvir mais do que falar. Ouvir, pensar, reflectir e arquivar. Sem mais. A distância entre o saber ouvir e o poder falar é curta. Mas há que saber guardar a distância de segurança.

...

O sonho não vive só na nossa cabeça. O sonho é corrermos atrás dele. E assim sobrevive e acontece.

expressão que gosto

saltar para a espinha

palavra que gosto

incondicional