Sexta-feira, Fevereiro 24, 2012

XX

...

O dom do toque

Existem passagens do nosso dia-a-dia que nos fazem lembrar que afinal o coração ainda bate. Esta história passou-se na última semana e é afinal aquilo a que se chama acaso. Feliz porque se trata de algo que me deixou de sorriso nos lábios. O que pode não ser difícil, mas de salientar quando é genuíno e sentido.
Com a Feira ainda fechada mas a entrada da tenda bem aberta, foram muitos os que primeiro espreitaram para ver o que se passava e depois que se decidiram a aventurar numa voltinha pelo interior. Ora, tive de me dirigir às pessoas e, delicadamente, tentar explicar que a Feira ainda se encontrava fechada e que ainda não podiam fazer a visita da praxe.
Ao sair dou de caras com uma senhora velhinha que lentamente entrava na tenda. Sorrio e digo: "desculpe mas ainda não pode entrar porque a abertura da Feira é só às 18h00". "Eu também não quero ver. Já vi tudo! Mas olhe que aquela senhora ali também entrou e ainda ninguém lhe disse que tinha de sair", diz, desarmando-me por completo.
Sorrio mais uma vez e não consigo argumentar o que quer que seja. Limito-me a ouvir. A senhora prossegue. "Eu já vi tudo. Viajei quatro meses pela Europa com o meu marido e conheço tudo. Também estive em África, em Angola, Moçambique, Guiné, S. Tomé e Príncipe, conheço tudo". Ainda a recuperar do primeiro golpe, tento (em vão) acrescentar algumas palavras com sentido ao monólogo da senhora. "Nunca conseguimos ver tudo. Há sempre qualquer coisa ainda para ver, por muitas viagens ou sítios pelos quais passamos", acrescento sem sucesso.
A sábia senhora não desarma. "Com 87 anos acha que ainda existirá alguma coisa que me surpreenda?! Eu tenho é muitas saudades do meu marido. Morreu com a vacina da gripe. Ele não queria tomar e eu também não queria que ele tomasse. Olhe, tomou num dia, começou a sentir-se mal durante a noite e morreu no dia seguinte. E eu agora sinto-me muito sozinha. Tenho muitos amigos e amigas, mas não é a mesma coisa. Estou sozinha porque tenho os meus filhos todos para Coimbra e só tenho os meus amigos que gostam muito de mim", retorquiu perante o meu ar cada vez mais babado e sem saber o que dizer.
Continuei a usar a minha arma preferida: o sorriso. Disse-lhe qualquer coisa como "os amigos também são importantes" e voltei a remeter-me a toda a minha pequenez perante tão eloquente personagem. Foi então que constatei o sucesso que estava a fazer com a senhora, mesmo depois de ter ficado sem palavras numa tentativa (sim, apenas tentativa) de acompanhar um intruso até à porta da saída. Do alto dos 87 anos saiu um elogio na minha direcção. "Tenho mesmo muitas saudades do meu marido. Ele era assim bonito como o menino. Tal e qual. Parece que o estou a ver ao olhar para si". Se já estava completamente rendido à velhinha, com este elogio arrancado sem esforço, fiquei bem lá no alto perto dos sete metros e tal do topo da tenda. Um misto entre dar um beijo na senhora ou perguntar se teria alguma neta gira que me quisesse apresentar. A conversa terminou com perguntas sobre o que teria em exposição na Feira e qual era a minha ocupação para estar ali a tentar ordenar o que quer que fosse naquele espaço. "Ah...então o menino está bem na vida...tudo de bom e muito boa sorte para a Feira", terminou, continuando rumo à saída no seu passo lento mas seguro.
A partir dali deixei de tentar evitar a entrada de qualquer outra pessoa no recinto. Parei por breves segundos e de sorriso nos lábios absorvi todos os pequenos flashes daquele momento. Não resisti a partilhar a história. Pela forma como aconteceu, pela senhora tão sui generis, pelo que me tocou apesar da banalidade. Deliciosa a forma como nos tocam sem nos tocarem.

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2012

Se cada dia cai

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda

:•|

Já não sei escrever. E no meio disto tudo, escrevo. Como já nem me lembro de o ter feito, com sentimento de dever cumprido, um pouco de imaginação, talvez. As palavras que brotam dos espaços corridos, voados nas horas impossíveis de contar ou personificar. Difícil de entender. Sentido, escrito, despido do sucesso da volta perfeita. Escrevo. Sem perceber bem o porquê...

Viver é...

Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções.
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas.

Joaquim Pessoa

Terça-feira, Fevereiro 21, 2012

Atitude

(italiano attitudine)
s. f.
1. Modo de ter o corpo. = POSE, POSIÇÃO, POSTURA
2. Demonstração de uma intenção (pelo gesto ou postura do corpo).
3. Modo de proceder. = COMPORTAMENTO
4. Aspecto.

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2012

...

Quem parte saudades deixa.
Quem fica saudades tem.

Sábado, Fevereiro 11, 2012

Trabalho de equipa

Gosto de vestir a camisola. Aliás, quando entro em alguma coisa, sou o primeiro a vestir a camisola. Não consigo ser de outra forma. Defender a minha dama, remar para o mesmo lado e em prol do objectivo comum.

E nada melhor do que trabalhar em equipa, em grupo, saber estar unidos nos momentos bons e nos de maior aperto também. E quando vejo obra feita, ou pelo menos algo para o qual contribuí, seja uma simples imagem num outdoor, não me canso de olhar e sorrir.

Quando entro é de corpo e alma. Com amor à causa, empenho e dando o meu melhor para que tudo saia da melhor forma. E é um orgulho perceber que tudo é possível com dedicação e trabalho.

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2012

Pois...

Estão a levar muitos trampolins para o Pólo Norte. Sabem para quê? É para o urso polar.

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2012

7

"Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro."

Mário de Sá-Carneiro

Vitória

O resultado que todos procuram no final. A distinção só ao alcance de alguns. A derradeira promessa dos audazes. Vitória. A próxima será ainda mais saborosa.