domingo, julho 31, 2011

Gavetas

«E como tudo o que sentimos tem uma gaveta,
O pássaro da alma tem imensas gavetas.
A gaveta da alegria e a gaveta da tristeza.
A gaveta da inveja e a gaveta da esperança.
A gaveta da desilusão e a gaveta do desespero.
A gaveta da paciência e a gaveta do desassossego.
E mais a gaveta do ódio, a gaveta da cólera e a gaveta do mimo.
A gaveta da preguiça e a gaveta do vazio.
E a gaveta dos segredos mais escondidos.
Uma gaveta que quase nunca abrimos.
E há mais gavetas.
Vocês podem juntar todas as que quiserem.»

sábado, julho 30, 2011

Segredos

Guardo os meus segredos bem guardados. Assim como o meu sorriso, por dentro, sempre que penso em alguns deles.

Guerras

É curioso ver que as "guerras" entre supermercados se fazem com argumentos tão distintos. O Jumbo põe os clientes a trabalhar com as caixas automáticas em que são os próprios a registar os produtos e a coloca-los nos sacos.

Já no Modelo, num dos que estive recentemente, estavam dois funcionários no caixa. Um registava os produtos e o outro colocava nos sacos. Eu limitei-me a assistir e a pagar no final. Não deixa de ser interessante este diferente tratamento do cliente.

domingo, julho 24, 2011

Sea

Bora lá...

quinta-feira, julho 21, 2011

...

Pergunto-me até onde poderá ir o limite dos meus erros. Qual é o limiar entre o continuarem a gostar de mim ou simplesmente me odiarem? E será que esse limiar existe em todas as circunstâncias? Não consigo acreditar no sentimento incondicional que jamais guardará qualquer mágoa. Impossível não deixar marcas. Mesmo que exista o incondicional de tudo.

Hora

«Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.»

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, julho 20, 2011

Futebol

«O futebol é uma linguagem universal com vários dialectos corporais. Existem mais de mil maneiras de ganhar ou perder um jogo. A mais educativa é aquela que respeita o talento. A mais cruel é a que ignora as boas ideias».

terça-feira, julho 19, 2011

Estrelas

O céu aqui está um delírio. Um céu como nunca vi. Completamente estrelado, cheio de pontinhos de luz no negro completo que invadiu o céu. Ouvem-se os grilos e depois é só silêncio e muita acalmia por toda a parte. Estou no meio do nada, perdido algures por aí. Mas é bom. Chama-se Alentejo e é único e inspirador.

segunda-feira, julho 18, 2011

Descoberta

Nada se descobre sem experimentar, sem ter a coragem suficiente para correr o risco. É bom minimizar todos os riscos nas nossas vidas, mas não sentir o sabor do desconhecido, não ficar minimamente vulnerável também é demasiado mau. As surpresas também são o sal. Ou o açúcar, se preferirem.
Partir à descoberta é do melhor. Alargar horizontes, conhecer novos sítios, ter novas experiências, falar com outras pessoas, praticar a trivialidade ou a simples conversa parva, respirar os lugares por onde passamos, os caminhos pisados pelos nossos próprios pés…
Descobrir é a palavra. E descobrir traz consigo tantas outras palavras a não descurar.

sexta-feira, julho 15, 2011

Música

Só assim. Mais nada...

quarta-feira, julho 13, 2011

Lado a lado

Vamos estar em desacordo muitas vezes. Ficar sem falar durante horas ou dias. Amuar e deixar que o orgulho nos consuma. Virar as costas quando devíamos estar frente a frente, olhos nos olhos. Aconteça o que acontecer, sei que caminhamos lado a lado, perto um do outro.

terça-feira, julho 12, 2011

Maré

E imagino como será o dia em que o barco aproveita a maré do bom tempo na costa para chegar ao porto. Simplesmente chegar. Porque não há ponto de partida sem chegada, não há volta sem retorno. Por muito que a tempestade se faça no mar ou o vento teime em correr no sentido contrário.

sexta-feira, julho 08, 2011

...

«Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior, com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos.»

ASE

quarta-feira, julho 06, 2011

:)

Sorrio ao pensar na forma como os destinos se cruzam.

...

«E se o amanhã não vier, não te esqueças que no meu silêncio grito o que a falta de coragem não me deixou dizer-te.»

PRS

terça-feira, julho 05, 2011

O erro de Platão

«Há pessoas que só sabem amar na ausência, na distância, na certeza de uma proximidade previsível e meticulosamente programada, onde o amor é dado a conta-gotas como se de uma panaceia se tratasse. Há pessoas que vivem com mais intensidade o amor ausente, ...perdido, esquecido ou ultrapassado, que saboreiam na solidão o prazer do reencontro, que partilham em sonhos e pelos fios do telefone sem fio os seus desejos e vontades com maior afecto e doçura do que se estivessem ao nosso lado. É desta matéria que são feitos os amores platónicos. No segredo de uma sala onde só a musica se ouve, no recolhimento de uma cama de um só corpo, nas saudades mudas e raramente partilhadas com aqueles que se ama.

Felizmente há outras formas de amar. Só que são mais difíceis, custam a aprender e cansam-nos muito mais. Ainda não encontrei em nenhum dicionário o verbo dar como sinónimo de amar, mas talvez ainda não seja tarde. Porque não concebo outra forma de amar que não seja a da partilha dos afectos e do despojamento de tudo aquilo que somos, com tudo o que de bom e de mau isso possa representar, nos braços daquele que amamos.

Um grande amor nunca se faz sem entrega, e se não há entrega então é porque não há amor. É como quem ama a vida: nunca tem medo de se entregar a ela, mesmo que isso lhe custe a sua própria existência. Quem tem medo da vida e da vontade acaba por não viver.

Eu só sei amar assim, com mãos estendidas e o coração sem defesas. Chamam-me romântica. Eu acho que sou apenas lúcida. Se não viver assim, com o coração fora do peito, embalada por um sonho que me aquece o corpo e o espírito nas noites de mais um Outono morno e luminoso, sei que a tristeza pode tomar conta da minha vida e a seguir à tristeza ou vem a indiferença ou a loucura, que afinal podem ser e tantas vezes são a mesma coisa.

Nascemos todos para amar mas demoramos muitos anos a aprender que amar nem sempre é um verbo recíproco. Se essa fosse a primeira coisa a descobrir, viveríamos o amor de uma forma muito mais justa e serena. E cada vez que ele fosse correspondido, aceitaríamos tal presente como uma preciosidade, uma raridade, um bem de valor incalculável e inestimável.

O amor platónico é um amor egoísta e estéril e devia ser proibido. É como se Mozart nunca tivesse vendido as suas sinfonias, como se Monet escondesse os seus quadros, como se O’Neill recusasse partilhar com o mundo o seu espólio poético. O amor platónico é um erro, um absurdo, um disparate, um acto gratuito, quase criminoso.

Só aceito o amor platónico quando já não existe nenhuma outra forma de o viver. E só há uma impossibilidade real na vida; chama-se morte, é sempre inevitável, quase sempre inesperada e infelizmente irreversível. E quando ela chega e leva o nosso amor, então nessa altura, se pode viver um amor platónico, espiritual, sofrido, triste, desgastado, perdido e sem esperança.

Mas enquanto estamos vivos, é preciso saber viver o amor, esquecer as mágoas e matar inseguranças e acreditar que vale a pena amar alguém, que vale a pena partilhar o nosso amor, mesmo que quem o recebe não saiba abrir as mãos para o agarrar.

Se os homens sentissem mais e pensassem menos, talvez Platão se tivesse ocupado com outras teorias mais produtivas. Ou talvez não. Afinal de contas não era mulher.»

M.R. Pinto

Não conheço a pessoa que escreveu. Encontrei algures perdido por aí, li e gostei. Aqui fica, mesmo sendo um homem que sente mais do que aquilo que pensa...

segunda-feira, julho 04, 2011

...

Hoje estou capaz de sentir saudades de tudo e mais alguma coisa. Mesmo das trivialidades da vida. Banal. Puramente banal. É assim...