sexta-feira, agosto 29, 2014

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sexta-feira, agosto 22, 2014

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Viajo quando fecho os olhos no silêncio dos pensamentos.

segunda-feira, agosto 18, 2014

Can´t you see?


domingo, agosto 17, 2014

quote II

«Lembrar-me que inevitavelmente terei que morrer é a mais importante ferramenta que eu alguma vez encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas na vida. Porque praticamente tudo - todas as nossas expectativas externas, todo o nosso orgulho, todo o nosso medo do embaraço ou fracasso - todas estas coisas simplesmente caem em face da morte, deixando apenas aquilo que é realmente importante. Lembrares-te que mais cedo ou mais tarde vais morrer é a melhor forma que eu conheço de evitar a armadilha de que temos alguma coisa a perder. Nós já estamos nus. Não existe nenhuma razão para não seguirmos o nosso coração.» S.J.

quote I

«O que sou neste instante? Sou uma máquina de escrever fazendo ecoar as teclas secas na húmida e escura madrugada. Há muito já não sou gente. Quiseram que eu fosse um objeto. Sou um objeto. Objeto sujo de sangue. Sou um objeto que cria outros objetos e a máquina cria a nós todos. Ela exige. O mecanicismo exige e exige a minha vida. Mas eu não obedeço totalmente: se tenho que ser um objeto, que seja um objeto que grita. Há uma coisa dentro de mim que dói. Ah como dói e como grita pedindo socorro. Mas faltam lágrimas na máquina que sou. Sou um objeto sem destino. Sou um objeto nas mãos de quem? Tal é o meu destino humano. O que me salva é grito. Eu protesto em nome do que está dentro do objecto atrás do atrás do pensamento-sentimento. Sou um objeto urgente.»

C.L.

Y


quarta-feira, agosto 13, 2014

Ainda ontem tinha vinte anos

«Ainda ontem tinha vinte anos e era dono do tempo. A minha mãe ainda me julgava o seu menino. E eu era já um homem seguro de mim, carregado de certezas, como acontece sempre que se tem vinte anos. Naquela altura tudo era exacto, tudo podia ser medido e comparado, nada tinha força para se comparar com a sabedoria de um jovem. O menino que era eu, foi ensinado pelo tempo, esse velho alfarrabista que guarda o segredo da eterna juventude. Tudo se foi modificando, o nascimento de algumas coisas significou a morte de outras, dentro de mim e fora de mim o futuro foi-se construindo com o passado, e entre alegrias breves aninharam-se inseguranças e fundas frustrações.

Trinta anos depois restam poucas certezas, aprendi que não é o galo que canta para que nasça o dia mas é o dia que acorda o galo para que cante. Aprendi que a vida tem milhões de perguntas e que tinha de procurar nos outros respostas para mim, para achar em mim resposta para os outros. Soube dar um braço a torcer para que não houvesse força que pudesse torcer-me o outro braço. E vi que a vida tem todas as portas abertas. Fechei algumas, atravessei por outras, esperando encontrar um mundo diferente. Mas as diferenças que achei estavam em mim.

Quis alterar o mundo com um livro e escrevi-o. Depois, alterei-o de acordo com o mundo. A minha vida teve muitas vidas que procurei entrelaçar como o cesteiro faz o cesto. Aprendi que a primeira realidade sobre o que ouvi falar é que nunca soube se estava a ouvir falar da realidade. E que um momento doce de ilusão pode doer mais do que a realidade mais amarga. E agora sei que não é pior caminhar contra o vento se o vento não estiver a meu favor. E que a grande árvore da amizade não pode viver sem os seus ramos, mas para que cresça mais e dê melhores frutos é preciso ir podando alguns deles.

Hoje existem vozes diferentes na minha voz e eu utilizo-as para fortalecer as minhas opiniões sem falar nunca em nome dos outros. E não me sinto obrigado a dizer a alguém, seja o que for. Importante é sentir vontade de dizer alguma coisa a quem quer que seja. E aprendi que falar não é o contrário de estar calado, que a lâmpada não tem culpa de ter falhado a energia, e que não é preciso estar acordado vinte e quatro horas por dia para não perder nada do que me é devido. Sei agora que a sedução é um jogo para o qual todos os dias treino e que todos os dias jogo. E que por vezes a verdade é a mais verdadeira das mentiras possíveis. "Que achas de mim?" é uma pergunta que devo fazer mais vezes a mim do que aos outros. E saber quantos milhões de estrelas tem uma galáxia é menos importante que encontrar as poucas palavras para terminar uma conversa. Sei que muito do que é humano ajudou a construir o homem, e que em relação ao tempo a única vitória é também a única derrota: gastá-lo. Ah!, e sei que é bom acordar duas vezes no mesmo dia. E que a lógica das cores não é a lógica das imagens. E que nem as cores nem as imagens sabem que existe qualquer lógica.

Aprendi também que se precisar de um cretino o devo tratar por Dr. Cretino e que, quando se perde uma pessoa que se ama, custa tanto lembrá-la como esquecê-la. Sei que a justiça me dispensa a coragem, que posso tornar-me sábio pela sabedoria dos outros, mas se não possuir os meus próprios méritos de nada vale exibir os méritos do meu pai. Também sei que, com excepção dos progressistas, todos me falam de progresso e que quando o céu está nublado a primeira impressão é a de que as estrelas não existem. Aprendi que não adianta ser rápido antes do tempo nem depois da oportunidade. E que o vento que derruba as grandes árvores não consegue mais do que inclinar os pequenos arbustos.

Hoje não considero generosidade oferecer o que me pedem porque generoso é aquele que dá antes de lhe pedirem. Acredito que existe uma só sede e muitas maneiras de a extinguir e que se, por erro, cair num precipício poucas possibilidades tenho de me arrepender. Ensinou-me a vida que se me humilhar não posso esperar dos outros mais que humilhação. E que poderei retirar ouro de uma rocha mas não posso exigir que ela me dê água. Tenho percebido que o silêncio é de ouro num mercado de palavras baratas. E que os olhos ricos em lágrimas são pobres em sono. Que é mais fácil reconhecer a qualidade que defini-la, e que para ser elogiado basta que dê um pouco de mim ou até menos do que um pouco. Sei ainda que para o pássaro o céu e a árvore têm as mesmas raízes, que o tempo que amadurece os frutos amadurece também os homens e, por isso, aquilo que perdi continua a ser meu enquanto o procurar.»

in "Vou-me Embora de Mim", Joaquim Pessoa

terça-feira, agosto 12, 2014

Stars


domingo, agosto 10, 2014

Simplicidade

Gostava de perceber porque a simplicidade de nada conta. O porquê do que existe de nada servir. Todos os outros porquês. Todas as outras razões a favor. E uma só. O coração. Mas não chega.

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«Pensava nela e abria-se-lhe um vazio no estômago. Era a única mulher que ele amara verdadeiramente na vida.»

M. V. L.

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«tem páginas e páginas sobre ela, tudo o que há de luminoso no livro vem dela».

P. M.

quinta-feira, agosto 07, 2014

Dias sem fim


terça-feira, agosto 05, 2014

W


segunda-feira, agosto 04, 2014

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- Não digas nada. Vais estragar tudo...