terça-feira, julho 01, 2014

Acordes fúnebres

Parem os relógios, desliguem o telefone.
Não deixem o cão ladrar dando-lhe um belo osso.
Calem os pianos e com um tambor abafado
Tragam o caixão e os que estão de luto.

Deixem os aviões fazer círculos e fazer barulhos
Escrevendo no céu a mensagem: ele morreu.
Ponham lenços negros nos pescoços brancos das pombas.
Façam os polícias de trânsito usar luvas de algodão negras.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, meu Este e Oeste,
A minha semana de trabalho e o meu descanso de domingo.
O meu meio-dia, a meia-noite, a minha fala, a minha canção,
Pensei que o amor ia durar para sempre mas enganei-me.

Agora as estrelas não são necessárias: apaguem-nas todas.
Guarde-se a lua e desmantele-se o sol.
Esvaziem-se os mares e varra-se a floresta
Porque de nada agora poderá resultar algo de bom.

W. H. Auden

1 comentário:

Anónimo disse...

Este poema é qualquer coisa de fenomenal.
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