domingo, fevereiro 28, 2010

Numa janela

Pela janela olho a chuva lá fora. O vidro está cheio de pequenas gotas que vão caindo, aos poucos, tal qual lágrimas a descer por um rosto triste. Vejo carros a circularem calmamente, como noutro domingo qualquer, as pessoas que fogem do mau tempo, sob capas e guarda-chuvas. Vejo árvores a fazerem vénias e folhas esvoaçando indefinidamente.

Apressadas seguem as pessoas que não conseguiram abrigo. Desesperadas por um local acolhedor onde possam fugir das agruras do tempo. Um casal caminha abraçado pelo passeio, dividindo o guarda-chuva e a vontade de contrariar a chuva e o vento. Como se o abraço partilhado ficasse transformado no local mais acolhedor de todos os demais. Nenhuma tempestade é capaz de abalar aquele momento. Só deles.

Um pássaro voa perdido por entre as árvores despidas. Sozinho consegue mostrar toda a sensação de liberdade que deve existir. Batendo as asas sob um céu cinzento ameaçador faz-me viajar para lá dos destinos imaginários. Faz dos sonhos, realidades, das incertezas, convicções. Permite soltar um sorriso tímido, mas sentido.

Da janela vejo o sol que por vezes quer espreitar. A chuva, o vento e o mau tempo servem como vendaval purificador dos dias maus. Porque depois desses dias chegam sempre dias melhores.

5 comentários:

Anónimo disse...

Vê-se logo que não tiveste relato neste domingo.... Magda Ferrei

Bruno Marques disse...

:D

Anónimo disse...

ela devia ser uma mulher muito especial...
em tudo o que escreves está subjacente tristeza, saudade...
ou estarei enganada?
pelos sintomas, parece que sofres da mesma doença que eu. :-(

Bruno Marques disse...

Eu e a minha mulher muito especial já estamos ligados. E em permanente contacto...:)

É só mesmo a escrita que é triste e saudosista. Acho que na maior parte das vezes quem escreve é um fingidor.

Anónimo disse...

Sem duvida, eu referia-me á escrita em si, que é muito saudosista...
Mas penso que não estou enganado...
Muito embora tenha que concordar contigo, que na maior parte das vezes quem escreve é a fingir, penso, tenho quase a certez, que existe um desgosto de amor nessa tristeza toda...