sexta-feira, maio 25, 2012

Sobre o filme todo


«E acho um comportamento lamentável, sim. Gostava de ouvir Carlos Lisboa explicar o seu gesto, também, porque não é nenhum tonto, e algo se terá passado para ele ter tido esta reacção. De qualquer forma, concordo que não é um gesto à altura, nem da circunstância nem do momento. Dito isto, mantenho que ele não pode tornar legitima uma reacção violenta do público, neste Dragão Caixa ou noutro recinto desportivo qualquer.

E que já vi comportamentos muito mais graves que, felizmente, não tiveram a mesma resposta violenta. Agora, a lógica do olho por olho, dente por dente, é tão primária como as ameaças feitas, desde ontem, a mim e à minha família, e mostra como o desporto, em Portugal, está transformado numa guerra medieval. A todos os que pactuam com essa guerra e que ameaçam e insultam por sistema, eu digo, bem alto: inchem. Eu tinha aqui preparado, como sempre faço aqui no blogue, o balanço de mais uma época do futebol, mas nem vou fazê-lo. O jogador do ano é, naturalmente, o Hulk, mas para quê perder tempo a explicá-lo? É igual.

A todos os que, independentemente do clube, conseguem ver, para lá do óbvio, e são capazes de ter uma conversa sobre o assunto, obrigado por existirem. Aos meus amigos, portistas, Álvaro Costa, José Torrinha e, ontem em Óbidos, João Moutinho e Bruno Alves, obrigado. Ainda há esperança, talvez. Aos que foram grafitar os FB da rádio e o meu, e concretizaram a sua fúria contra mim com tanta convicção, em tanto sítio e junto de tanta gente ontem, eu peço: usem a mesma determinação na campanha do Banco Alimentar, por exemplo. É o primeiro passo para, quem sabe, arranjarem uma vida.

Ontem foi um dia curioso. Desencantaram uma foto minha vestido com a camisola do Porto, numa emissão da Rádio nas Antas, em que eu, o Malato e a Lamy (nenhum de nós portista) vestimos uma camisola para umas fotos para a revista do Porto, e eu dei por mim a pensar: este gesto de cortesia hoje seria impossível. Como aquela famosa foto de Pinto da Costa com a bandeira do Benfica, por exemplo. E é pena, porque é a rendição à grunhice. A todos os que vieram aqui dizer que tinham deixado de gostar de mim, gostava de tranquilizar: na verdade, nunca gostaram. Só o descobriram agora, o que é óptimo para eles e para mim.»

Os Dias Úteis

Este é um texto escrito por Pedro Ribeiro da Rádio Comercial. Acrescento que estou 100% de acordo com o que ele escreveu. Acrescento apenas que aos adeptos não se pode pedir mais do que na maioria sabem e que um treinador, dirigente, jogador, roupeiro, médico, massagista tem obrigatoriamente de ter outra postura e saber estar. Quem não aguenta a pressão ou não sabe comportar-se à altura do lugar que ocupa, então está nitidamente a mais no desporto, independentemente da modalidade.

Sem comentários: