quarta-feira, março 31, 2010

No escuro

Acendo a luz do quarto. Olho a solidão de uma cama vazia e impecavelmente feita. É como se nunca tivéssemos saído daquele quarto, daquela cama muitas vezes desfeita, tal qual amantes escondidos do mundo. A diferença é que agora tudo está quieto e sossegado. Sinto o cheiro do teu perfume no ar e na minha cabeça tenho ainda o som da voz que me embalava as noites.

Aquele quarto já teve vida. E tudo o que nele viveu agora está morto. Sobrevive apenas na memória, nas recordações das aventuras e desventuras passadas. Morremos os dois no dia em que a luz do quarto se apagou uma última vez. Sempre foi assim. Sem luz ao fundo do túnel.

Agora jamais esquecerei a lição. Por mais vezes que acenda as luzes, por mais vezes que deixe os raios de sol entrarem pela janela do quarto, por muito que procure recriar os dias passados naquele espaço. Sei que nada voltará a ser como dantes. Adormecemos numa noite e não voltamos a acordar. Vivo com os remorsos de tudo o que perdi na passagem. Vivo com as nuvens a pairar sobre a cabeça. Vivo, mas não é a mesma coisa…

As palavras são fingidas, mas a mensagem é esta.

2 comentários:

disse...

Muito bonitas as palavras...:)Podias parafrasear a Zon e dizer:' Podia viver sem ti? Sim podia, mas não era a mesma coisa' :)

ML disse...

Nem acrescento mais nada, para não estragar...

Gostei.