sexta-feira, janeiro 10, 2014

Estes dois dias

É um lugar comum ouvir-se ou ler-se que a vida são dois dias. Por passar rápido, ser um conjunto de experiências em doses descontroladas, traduzidas em ensinamentos que fazem avançar. Nasce-se sem a consciência daquilo ao que se vem e onde tudo termina. Sem se escolher cá chegar e partir sem pedir permissão. Depois de lançados os dados, cumpridas as primeiras casas do tabuleiro, todos escolheriam ficar por cá a jogar sem tempo definido.
Agarrados às ambições, aos projectos de vida, seguem-se as estradas. A realização pessoal, a profissional, a independência financeira e os objectivos materiais. Conhecer o mundo e as pessoas que entram e saem consoante as fases da vida. Num "adeus" e "até já" repetitivo. Até que um azar se cruza, uma doença se mostra, uma falha se apresenta derradeira. E todo o mundo, aquele nosso mundo, se desmorona. Aí reside a noção de fim. De que afinal o tempo é curto, feito de dias contados. Uma tremenda contagem decrescente, sem parar, sem tréguas, rígida. Há sempre uma infinidade de coisas por fazer. De conversas que faltaram iniciar, de discussões parvas a evitar, de problemas que nunca chegaram a ser verdadeiras dores de cabeça. Só por birra e orgulho excessivo existiram. E para quê? Quando tudo se esfuma num estalar de dedos.
Um dia a vida, tal e qual a conhecemos, chega ao fim. De forma abrupta, talvez demasiado cedo na maior parte dos casos. Longe dos tempos em que o fim se conhecia em casa, no próprio leito, acompanhado dos familiares mais próximos. Uma longínqua visão romântica não compadecia com a insensibilidade dos tempos modernos. O destino prega partidas mesmo quando existem planos de felicidade a longo prazo. E os dias ficam ainda mais curtos. Por isso, estes dois dias são para não nos levarmos demasiado a sério.
Estes dois dias são para descobrirmos as pessoas que nos fazem falta e nos partilharmos com elas. Estes dois dias são para nos apaixonarmos pelos momentos, pelas paisagens, pelas pequenas conquistas. Estes dois dias são para garantirmos a nossa tranquilidade interior e deixar uma marca, por pequena que seja, representativa da forma única como os vivemos. Em algo que cá fique para além da nossa própria existência.

2 comentários:

Anónimo disse...

Faz destes dois dias os melhores minutos, segundos, horas da tua vida. Este é o lema...

Anónimo disse...

Alimenta a tua vida com mais alegrias do que tristezas, corre atrás do que vale a pena, cultiva amizades e momentos únicos. Não conseguimos prever quando a batida do coração pode parar, mas até que isso aconteça faz do amor a tua chave mestra.