sexta-feira, julho 30, 2010

Noutros tempos

Pensando bem na evolução dos tempos, antigamente existia um pouco mais mistério. Veja-se o exemplo dos telefones. Nunca sabiamos quem estava lá do outro lado a tentar estabelecer uma ligação connosco. Existia aquela ansiedade antes de levantarmos o auscultador e dizermos o tradicional: "estou?!". Noutros tempos, um telefonema era uma coisa importante que não acontecia com muita frequência. Deixava mais espaço ao misterioso.

Quem tinha telefone em casa era quase considerado rico. No início o telefone não estava ao alcance de qualquer um e a comunicação entre as pessoas era um bem muito precioso.

Hoje em dia tudo é diferente. Cada pessoa tem o seu telefone pessoal, vulgo telemóvel. Mais, sabemos sempre quem nos está a ligar, salvo aqueles números privados ou anónimos, e temos ainda a possibilidade de adicionar uma fotografia ao contacto e termos no visor a imagem da pessoa que nos está a ligar. E quase sempre só olhando para o telemóvel sabemos qual vai ser o assunto da conversa porque sabemos de antemão quem está do outro lado.

Noutros tempos, o gosto pelo desconhecido fazia-nos atender o telefone. Agora, a vulgarização faz-nos atender só quem nós queremos e quando queremos. A culpa é de já não existir mistério como antigamente.

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