domingo, novembro 23, 2008

Não te quero senão porque te quero

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

Pablo Neruda

2 comentários:

flá disse...

é um dos meus poemas favoritos de um dos meus poetas favoritos :D

este poema tem um ritmo incrível. Eu gosto ainda mais da versão em espanhol, pq as palavras parecem pancadas do coração a acelerar.

Ah sabias que o neruda escreveu um poema dedicado a Amália Rodrigues? Muito bonito.

Bruno Marques disse...

Temos gostos semelhantes. É também dos meus poetas favoritos.